KOOL Metal Fest: peso, política e zoeira

Teve Brujeria, Krisiun, Nervosa, Surra, Eskröta e mais

As bandas Nervosa, Krisiun, Eskröta e Brujeria no Kool Metal Fest 2019
Foto: Nervosa, Krisiun, Eskröta e Brujeria (Revolution Radio)
Gostou? Compartilhe:

Os fãs do metal extremo que compareceram no Kool Metal Fest no último domingo (10/11) puderam lavar a alma nos quesitos música de qualidade, mensagem e diversão. Em uma sequência de apresentações de bandas nacionais novatas e maduras até o fechamento com o Brujeria, o público pode viver um dia curtindo o melhor do som pesado e compartilhando com a atitude de seus artistas prediletos – além de zoar muito.

Ya, guitarrista e vocalista da Eskröta

O dia começou com as minas do Eskröta, trio feminino do interior de São Paulo. Elas abriram arrebentando o palco do festival com seu crossover thrash carregado de mensagens antifascistas e antimachistas. Quem acompanha sua carreira pode comprovar a evolução técnica e de presença da banda. Hoje já são verdadeiras monstras na cena.

Os caras do Cemitério saciaram a audiência sedenta por temas clássicos do death metal: como mortos-vivos, faces da morte e… morte em geral! Com uma execução sombria e divertida ao mesmo tempo, já foram dando o tom do espetáculo que encerraria a noite.

Banda death metal Cemitério

O Surra, que já tem uma legião de seguidores, escancarou os problemas do Brasil com os sons de seu mais recente trabalho, “Escorrendo pelo Ralo”. Consumismo, desigualdade social, autoritarismo e outros motivos da falência da sociedade em uma tijolada thrash na cara da plateia. O ponto alto foi quando a produção da banda soltou um patinho inflável – um dos símbolos dos bolsonaristas – para o público “surrar”. A essa altura, o coro “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cú” já tinha se tornado um hábito entre uma banda e outra – e mais adiante, entre uma música e outra.

Público dando uma surra no patinho inflável (Revolution Radio)

O Nervosa tomou o Carioca Clube com seu thrash/death metal hipnotizante de acordes pesados e contínuos. A vocalista Fernanda Lira traduz tanto em letra como nas expressões faciais as mensagens das músicas, que tratam de crimes de guerra, fascismo e feminismo. A performance não deixa dúvidas sobre a grandiosidade que o Nervosa alcançou, levando-as à escalação do Wacken Open Air, um dos maiores festivais de metal do mundo, na edição de 2020.

Prika Amaral, guitarrista do Nervosa (Revolution Radio)
Fernanda Lira, baixista e vocalista do Nervosa (Revolution Radio)

Logo antes do headliner, o Krisiun presenteou a galera com seu brutal death metal maduro e atemporal. Com quase 30 anos de carreira, o trio parece mais contemporâneo que nunca. O vocal Alex Camargo interagiu bastante com o público entre uma música e outra, momentos em que o respeito pela banda ficou claro.

Moyses Kolesne, guitarrista do Krisiun (Revolution Radio)

O Carioca Clube parecia uma panela de pressão quando o Brujeria subiu ao tablado. Uma galera ensandecida se dividiu entre a roda de mosh formada no meio da plateia e o palco, em um rodízio constante de stage dives e interação com a banda.

Galera curtindo o palco durante o show do Brujeria

Juan Brujo e companhia executaram um setlist com o melhor de sua carreira de 30 anos. A banda é única em entregar toda a agressividade de faixas das mais pesadas do metal mundial com crítica social e… comédia! “Amaricon Czar”, música lançada em  fevereiro deste ano, ganhou um novo alvo na apresentação de domingo: o som, uma crítica ao presidente americano Donald Trump, foi introduzido pela banda com um “que se impiche Bolsonaro”. Críticas ao autoritarismo e à perseguição as minorias foram uma constante, em faixas como “Pito Wilson”, “Revolución”, “Marcha de Odio” e as clássicas “Matando Gueros” e “La Migra”. Tudo isso com os artistas zoando políticos e interagindo muito com o público que, mesmo insistindo em subir ao palco para gritar, dançar, dar stage dive ou até mesmo conversar, foi tratado com muito humor.

Brujeria ao vivo

Posted by Revolution Radio on Sunday, November 10, 2019

Live de trecho do show do Brujeria (Facebook Revolution Radio)
Fantasma e Juan Brujo, da banda Brujeria (Revolution Radio)
Juan Brujo, Fantasma e Shane Embury, do Brujeria (Revolution Radio)

A noite terminou ao som da versão de “Macarena” do Brujeria, com a galera dançando junto aos integrantes da banda. Inesquecível.

“Macarena” versão Brujeria

Gostou? Compartilhe:

Veja também...