NOFX e o punk rock independente que é sucesso mundial

Conheça a história da banda.

Foto: Fat Wreck Chords
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Você pode amar ou odiar, mas, se já  parou para ouvir punk rock em algum momento da vida, com certeza não conseguiu ignorar o NOFX.

Com postura debochada, abertamente anticomercial, e sua mistura de elementos do punk rock, hardcore melódico, skate punk e ska, o NOFX angariou fãs e detratores ao longo de seus mais de 30 anos de carreira.

Mesmo esnobando a MTV e as grandes gravadoras, Fat Mike, Eric Melvin, El Hefe e Erik Sandin chegaram à casa dos milhões de discos vendidos pelo mundo e seguem causando polêmica por onde passam até hoje.

A banda surgiu em 1983, na Califórnia. O guitarrista El Hefe não estava na formação original, ingressando no grupo posteriormente, em 1991. Após alguns EPs e singles, o NOFX lançou o seu primeiro álbum, Liberal Animation, em 1988, já com produção de Brett Gurewitz, guitarrista do Bad Religion.

Seria o início de uma parceria duradoura da banda com a Epitaph Records, lendário selo independente conduzido por Gurewitz, que lançou os oito primeiros álbuns da carreira do NOFX.O destaque desse período na Epitaph vai para Punk in Drublic, quinto álbum de estúdio da banda, de 1994, que alçou o NOFX para a lista de mais ouvidas da Billboard e conquistou o status de álbum clássico na história do punk rock mundial.Em Punk in Drublic é possível encontrar muito do que são as marcas do som e da postura do NOFX. As guitarras rápidas, os vocais alternados entre os integrantes da banda, letras engraçadas e críticas políticas, tudo está lá, embalado em hits como “Linoleum” e “Don´t call me white”.O último disco lançado pela Epitaph Records foi Pump Up the Valuum, de 2000. Depois desse trabalho, o NOFX migrou para a Fat Wreck Chords, outra gravadora independente, comandada pelo próprio vocalista e baixista da banda, Fat Mike.  Em 2003, já de casa nova, eles lançam The War on Errorism, um álbum com uma pegada bem política, que marca o engajamento do grupo contra o governo do presidente George W. Bush.

Fat Mike, inclusive, foi o grande idealizador do projeto Rock Against Bush, que, em 2004, batalhou para mobilizar os jovens contra a reeleição do presidente norte-americano. O projeto reuniu diversas bandas punks, como Green Day e Bad Religion, nas gravações de CDs que tinham por objetivo conscientizar a juventude sobre a importância de entender a política e participar das eleições.Mas para além do engajamento político, o NOFX se notabiliza também por diversas polêmicas relacionadas ao seu tom debochado com a indústria musical e os fãs. As confusões vão desde capas de CD insinuando zoofilia, o que gerou a retirada, em algumas lojas, do disco Heavy Petting Zoo, até o famoso episódio de 2010, no SXSW Festival, quando um vídeo exibido pela própria banda para o público sugeriu que parte da plateia havia bebido a urina de Fat Mike sem saber. A situação rendeu várias tretas até ser comprovadamente desmentida pelo vocalista.

Os discos mais recentes, Coaster (2009), Self Entitled (2012) e First Ditch Effort (2016), marcam um amadurecimento no som do NOFX. Os temas seguem espinhosos, numa mescla entre crises pessoais e questões sociais. Dependência química, divórcio e mortes de parentes dividem espaço com questões mais amplas como abandono infantil e orientação sexual.Com todo esse pacote, é impossível falar de punk rock norte-americano sem citar o NOFX. Com 13 álbuns de estúdio e notável sucesso comercial, mesmo sem nunca ceder aos anseios de grandes gravadoras e ao assédio da mídia tradicional, a banda prova que é possível manter o espírito punk vivo.

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