Oxigênio Festival 2019 na contramão do mainstream

Festival será de 13 a 15/9; blind tickets já estão à venda a preços promocionais

Logo do festival Oxigênio 2019
Foto: divulgação
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O Oxigênio pode ser considerado um fenômeno: o que no início parecia ser apenas um show despretensioso de bandas camaradas, chega na sua sexta edição em 2019 como o maior festival punk/hardcore/emo/ska do país. Contrariando o mainstream, o evento cresce ano após ano, extrapolando a dimensão musical com atividades esportivas, gastronomia, jogos eletrônicos e exposições de arte, e já despontando entre os maiores acontecimentos culturais do país.

Este ano, o Oxigênio Festival acontecerá durante os dias 13, 14 e 15 de setembro no Via Matarazzo, em São Paulo (SP). As bandas ainda não foram divulgadas (fique ligado que a lista sai no dia 1º de julho), mas os ingressos já começaram a ser vendidos a preços super promocionais: a entrada para os três dias custa R$ 180. Não perca essa oportunidade, clique aqui e garanta seus tickets já!

O amadurecimento traz também uma abertura a outros gêneros musicais alternativos, e isso é muito bacana. Conversamos com o idealizador e produtor do Oxigênio Festival, Rafael Pelegrino, o “Piu”, sobre a união entre tribos e diversidade musical, música versus política e o rock nos dias de hoje. Confira o bate papo aí embaixo:

RR: Sou de uma época que rolava muita treta entre punks e skinheads, metaleiros e carecas, góticos e headbangers. Hoje, há uma cumplicidade bem maior entre essas e outras tribos, e a consciência de que o que une todas elas é o modo de vida alternativo e a contestação ao mainstream. Para unir ainda mais a cena, é possível a gente ver um Oxigênio Festival com bandas de crossover thrash, grindcore e rap?

Piu: Sim. A ideia do Oxigenio Festival sempre foi dar espaço para todo o tipo de música e cada vez mais estamos conseguindo fazer a união entre tribos. É claro que muita gente ainda torce o nariz, mas faz parte do nosso trabalho expandir a mente da galera, pois temos a percepção de que a música deve unir e não separar pessoas.

RR: A Revolution Radio é um portal que oferece punk/hardcore/metal para o público, mas também discute questões sociais e políticas abordadas pelos artistas nas letras das músicas, e incentiva a audiência a apoiar essas causas através de ONGs e instituições. Pensando nos artistas e no público do Oxigênio Festival, você acha que essa galera se mobiliza mais à temas ligados a mudar o mundo ou música e política não devem se misturar?

Piu: Pessoalmente, posso dizer que tenho total consciência de que não só a música, mas a arte em geral deve se misturar com a política. Arte é cultura. O nosso povo precisa de cultura pra poder ter discernimento na hora de escolher em quem votar, ou a causa que deve apoiar, ou a conduta que deve ter no seu dia a dia. O Oxigênio Festival vai um pouco além da minha opinião pessoal, pois são muitas pessoas envolvidas e não respondo por todas elas, mas posso afirmar que somos contra qualquer política separatista e preconceituosa.

RR: Pensando na pasteurização da música, com gêneros pop como sertanejo, axé e funk jogando o rock de lado, você acha isso positivo ou devemos buscar a retomada do mainstream? Perguntando de outra forma: o rock enfraqueceu ou, por sua essência underground e contestadora, o rock nunca foi tão rock?

Piu: Eu acredito que a música – como tudo na vida – é cíclica. Nunca um estilo só estará no topo pra sempre. Eu sou totalmente contra acharmos que a mídia é quem escolhe quem estará nesse topo, ou que jogam o rock de lado, pois acho que quem faz isso é o próprio público. Não tem mais desculpa pra dizer que não teve acesso a algo porque a mídia não divulgou. A internet está aí, o mundo é acessível. Na época que o rock estava no topo das paradas, eu tenho certeza que os nossos pais iam nas lojas comprar o disco, liam as notícias, compravam as revistas. Hoje, é bem mais fácil consumir música, só não faz isso quem não quer.
Realmente não vejo uma “grande cena” surgindo dentro do que chamamos rock. Consegui acompanhar algumas, como o estouro do emo, do “colorido”, do hardcore melódico, do pop punk e agora vejo tudo meio dissipado. Mas a palavra enfraquecer não é a ideal, já que temos tantas bandas ótimas de todas as vertentes. A qualidade de gravação, composição, letras, tudo está bem feito.

Na minha opinião, precisamos de mais união entre as bandas. Precisamos repartir o pão, unir forças, dividir a mesma van, compartilhar o equipamento, fazer intercambio, tocar covers uma das outras, lançar splits, coletâneas, sabe? Algo como os sertanejos fazem pra se divulgarem.
Valorizemos o rock, o estilo rock é um dos mais antigos e pelo jeito nunca vai morrer.

Agenda de shows

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