Suicidal faz show histórico no Vans Black Rainbows

Banda ficou banida de tocar em Venice por 30 anos

Vocalista do Suicidal Tendencies, Mike Muir, no Vans Black Rainbows @CelinaKenyon @AshleyOsborn
Foto: @CelinaKenyon @AshleyOsborn
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por Sté Reis

Tudo o que envolve a história da banda de thrash punk Suicidal Tendencies é envolto em energia transgressora, agressividade no palco, desobediência e letras que soam como gritos de guerra. Na última sexta, dia 9, a banda tocou pela primeira vez em seu bairro natal depois de serem banidos de Venice por 30 anos. O show aconteceu no evento Vans Black Rainbows, que celebrava as origens da cultura do skate e seu primeiro tênis próprio para a prática do esporte, o Era, tendo ainda Henry Rollins endossando o time do skate punk presente junto com Tony Alva, Jeff Ho e o editor da Thrasher Magazine.

Entre os convidados ilustres, o show também teve a presença de Jim Muir, um dos ZBoys e irmão do vocalista Mike Muir, único membro remanescente da banda; o baixista Robert Trujillo, que ganhou no Suicidal o reconhecimento que o levou posteriormente a substituir Jason Newsted no Metallica; e na primeira fileira do show seu filho, Ty Trujillo, 14 anos, que já tem entre seus feitos uma turnê substituindo o Fieldy, do Korn.

Robert e Ty Trujillo no Vans Black Rainbows (@CelinaKenyon / @AshleyOsborn)

Na quinta à noite, algo já anunciava que os locais estavam ansiosos por esse momento. Os restaurantes para turistas na orla da Ocean Front Walk disputavam a trilha sonora good vibes Califórnia com os acordes pesados de “You Can’t Bring Me Down” vindo das sacadas vizinhas. Na porta do evento, fãs buscavam alguma forma de entrar. Mas sem todo o estresse que levou a polícia a baixar de helicóptero em Los Angeles num show gratuito para celebrar o mural com a imagem de Mike feita como homenagem pelo condado da cidade. Neste show, os fãs arrombaram os portões e deu uma treta generalizada.

Crowd se espremendo para a apresentação do ST no Vans Black Rainbows (@CelinaKenyon / @AshleyOsborn)

Em um papo com Terri Craft, da Juice Magazine, revista sobre skate e punk há 30 anos na cena, ela explica. “Em Los Angeles existem diversas gangues que ouvem o som da banda, por isso a maior parte dos shows gratuitos na cidade desembocam em tumulto. Gangues rivais disputam espaço e a briga que começa no bate cabeça acaba indo parar na polícia.”

AS GANGUES DE BANDANA AZUL

O Suicidal em si sempre negou envolvimento com gangues locais. Mas, por volta dos anos 80, o auge da decadência local e da força das gangues, eles foram acusados pela polícia de ser amigos de traficantes e estarem envolvidos no crime. Isso se deve especialmente a Venice 13, gangue chicana. Essa gangue usava a mesma bandana azul de Mike Muir e quando a primeira capa do álbum autointitulado saiu, o baterista Amery Smith usava um boné que tinha a marca V13. Até explicar que o boné era do irmão de um dos caras da banda, muito burburinho já tava rolando.

As bandanas polêmicas dos caras do ST (@CelinaKenyon / @AshleyOsborn)

A partir daí, uma gangue inteira surgiu em torno do ST, a Suicidal Cycos (também conhecida como Suicidals, Suis ou Suicidal Boyz), com seguidores não só em Venice, mas em diversas cidades dos Estados Unidos. A banda não comenta esses assuntos, ainda que existam coincidências misteriosas ao redor do número 13, nome de um álbum que eles lançaram em 2013, por exemplo.

SHOW ENÉRGICO E INESQUECÍVEL

Quando os caras subiram no pequeno palco montado numa antiga casa usada para guardar gôndolas, uma fileira com fãs de bonés de aba reta, mexicanos de bandana azul, eles estavam prontos para fazer história. Eles conseguiram fazer o primeiro show de volta à cidade sem tretas. Abriram o set com “Suicide’s an Alternative” e o show seguiu com grandes faixas da história da banda, entre elas “Pledge Your Allegiance”, “War Inside My Head” e como não poderia deixar de ser, “Possessed to Skate”.

Concentração do ST (@CelinaKenyon / @AshleyOsborn)
Mike Muir no Vans Black Rainbows (@CelinaKenyon / @AshleyOsborn)
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Muir, que vai crescendo no palco à medida que a plateia fica mais energizada, nessa altura já parecia ter duas vezes o tamanho do próprio espaço. Subiu na parede da exposição, ignorando os pedidos dos seguranças para descer e levantou a galera. Assim como o guitarrista Dean Pleasants que não economizou nos moshs e tocou em cima dos amplificadores segurando uma corrente.

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Apesar da intensidade que um show do Suicidal tem (quem esteve na Virada Cultural em São Paulo sabe do que estou falando) o show foi um retorno pacífico e necessário para os caras que já não podiam a décadas tocar em sua vizinhança de infância, cercados por amigos e da história com o skate punk que remete às suas raízes.

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